Por Tácita Muniz
No primeiro dia do Vem pro Acre – Amazônia: Conexão Pacífico, turismo e negócios”, realizado na capital fluminense nos dias 14 e 15 de maio, o empresário Demóstenes Barbosa da Silva destacou o potencial do Acre para se tornar protagonista no desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Ele fechou um investimento de energia limpa no estado, orçada em meio milhão de reais, em média. Segundo ele, o estado reúne condições favoráveis para a produção em larga escala de biocombustíveis verdes, aproveitando a intensa radiação solar, a abundância de água e a possibilidade de geração de hidrogênio verde, considerado hoje uma das principais moléculas para cadeias produtivas de energia.
“Vislumbramos no Acre uma enorme oportunidade de acelerar o desenvolvimento da região amazônica. É possível produzir biocombustíveis verdes em grande escala, convertendo hidrogênio em amônia e outros derivados para uso energético”, afirmou.
Atualmente, já está em andamento em Rio Branco a construção de uma usina solar fotovoltaica, contratada pela concessionária Vinci Airports, que utilizará a energia limpa para abastecer o aeroporto da capital.

Além disso, Silva apresentou ao governo estadual uma proposta para implantar uma linha de produção na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), voltada à fabricação de sistemas autônomos de energia. O objetivo é substituir centenas de geradores a diesel que dependem de combustível importado de fora do estado.
A tecnologia, além de não poluente, permitirá atender comunidades remotas com energia sustentável e conectividade via internet satelital. “Essa iniciativa vai dinamizar a integração social e melhorar a qualidade de vida em regiões isoladas”, destacou.
Em relação ao impacto econômico, Barbosa da Silva explicou que o Brasil gasta mais de R$ 15 bilhões por ano com óleo diesel. No Acre, os investimentos previstos não devem ultrapassar R$ 500 milhões, mas podem gerar economia superior a R$ 1 bilhão anual. “É um benefício amplamente compensador, que alia sustentabilidade, inovação e desenvolvimento econômico”, concluiu.

Anac como ponte
A presidente da Agência de Negócios do Estado (Anac), Waleska Bezerra, destacou o papel da instituição na aproximação entre investidores e o governo do Acre durante encontro realizado nesta semana. Segundo ela, a agência tem atuado como ponte para atrair empresários de diferentes regiões do Brasil e do mundo, com foco em projetos de inovação e sustentabilidade.
“O principal papel da Anac é fazer essa intermediação entre o Estado e os investidores. Desde que assumi, temos recebido empresários de várias partes do país e, agora, também de fora. Neste evento, tivemos a oportunidade de apresentar o Acre a um investidor interessado em energia solar e em levar internet avançada para municípios isolados, como Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa”, afirmou.
Waleska explicou que o contato com esse investidor já vinha sendo construído e foi consolidado durante o encontro.
“Ele veio diretamente de São Paulo para participar e conhecer de perto nossas potencialidades. A expectativa é que futuramente abra uma empresa no Acre. Esse é o nosso papel: criar oportunidades e fortalecer parcerias estratégicas”, disse.

A presidente ressaltou ainda que os projetos apresentados estão alinhados ao tema central do encontro, voltado para o desenvolvimento sustentável.
“Estamos falando de energia limpa, rápida e eficiente. É exatamente esse tipo de investimento que buscamos: soluções que promovam crescimento econômico sem abrir mão da responsabilidade ambiental”, concluiu.
A partir de agora, a Anac passa a acompanhar de forma direta as tratativas entre o governo e empresas privadas, visando garantir a efetivação dos investimentos no Acre.
Trans Acreana aposta na Rota do Pacífico
O executivo Rafael Catarino, da empresa Trans Acreana, destacou durante encontro de negócios o compromisso da companhia em investir no Acre e fortalecer a integração regional por meio da Rota Internacional do Pacífico.

“A Trans Acreana é uma empresa acreana, com raízes e vínculos fortes com o estado. O proprietário tem um carinho especial pelo Acre e busca sempre investir, trazendo ônibus novos e ampliando oportunidades. A Rota do Pacífico é uma grande chance de mostrar nosso trabalho e criar novas histórias para os passageiros”, afirmou Rafael.
Atualmente, a Trans Acreana é a única empresa a operar a rota que conecta o Brasil ao Peru, com viagens que vão do Rio de Janeiro até Lima. Durante o evento, foram discutidas novas parcerias com agentes de turismo, incluindo soluções para ampliar pacotes de viagens entre Rio Branco, Porto Maldonado e Cusco.
“Estamos trabalhando para oferecer os melhores preços e experiências às agências parceiras, garantindo que os passageiros tenham acesso a serviços de qualidade e rotas estratégicas”, explicou.
Segundo Catarino, o objetivo da empresa é consolidar o Acre como ponto de referência na integração logística e turística com países vizinhos, aproveitando o potencial da Rota do Pacífico para impulsionar o desenvolvimento regional.

Integração internacional
O diretor da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre, Lauro Veiga, destacou, durante encontro empresarial, as políticas de incentivo e o papel estratégico da instituição na atração de investimentos para o estado.
Segundo ele, a ZPE está inserida em um novo contexto econômico mundial e busca oferecer condições rápidas e seguras para empresas interessadas em se instalar na região.
“Nosso objetivo é criar um ambiente favorável para investidores, com políticas de incentivo que incluem redução de tributos e facilidades logísticas. A ZPE do Acre está preparada para receber empresas que desejam atuar em mercados internacionais, aproveitando a posição estratégica do estado na rota de integração com o Peru e outros países”, afirmou.
A programação do evento incluiu apresentações culturais, degustação da culinária regional e momentos de networking, reforçando a conexão entre negócios e identidade local.
“Queremos que os empresários conheçam não apenas as oportunidades econômicas, mas também a riqueza cultural do Acre. Essa integração fortalece o ambiente de negócios e aproxima investidores da realidade amazônica”, disse.

Ele ressaltou ainda que a ZPE tem trabalhado em parceria com câmaras de comércio, consulados, federações e associações empresariais para ampliar a rede de contatos e consolidar o Acre como destino estratégico de investimentos.
“Estamos preparados para oferecer suporte técnico, estudos de viabilidade e acompanhamento especializado, garantindo segurança e eficiência para quem deseja investir”, concluiu.

Laços históricos
O ex-presidente do Congresso do Peru, Eduardo Salhuana Cavides, ressaltou durante encontro empresarial no Acre a relevância da aproximação entre Brasil e Peru por meio da Rota Internacional do Pacífico. Para ele, a iniciativa fortalece os laços históricos e abre novas perspectivas de desenvolvimento econômico para ambos os países.
“É uma satisfação enorme ver o Acre e o Peru estreitando suas relações. O Acre se consolida como porta de entrada do Brasil para o Pacífico, e o Peru está preparado para atender às demandas de exportação e ampliar o comércio bilateral. Essa rota representa uma oportunidade estratégica para reduzir custos logísticos e tornar os produtos brasileiros mais competitivos nos mercados internacionais”, afirmou Cavides.

Ele destacou, ainda, o papel dos portos peruanos na integração regional, mencionando o Porto de Chancay, próximo a Lima, como um dos mais modernos da América Latina.
“O Porto de Chancay é totalmente automatizado e está se tornando referência no continente. Com investimentos robustos, será um dos principais terminais da região, capaz de receber navios de grande porte e atender às necessidades crescentes do comércio internacional”, explicou.
Segundo Cavides, outros portos peruanos também estão sendo modernizados, ampliando a capacidade logística do país e reforçando sua posição como elo estratégico entre a América Latina e a Ásia.
“Essa infraestrutura fortalece não apenas o Peru, mas também o Brasil, que poderá acessar mercados globais com maior eficiência e competitividade”, concluiu.

Integração cultural e econômica
Alexandre Agra, representante da Somas Amazônia, destacou a importância de iniciativas que aproximem o estado e a região amazônica do Brasil e do mundo.
“Vejo esse evento da maneira mais positiva possível. Nosso grande desafio é diminuir a distância histórica que sempre existiu entre o território amazônico e o restante do país. A missão da Somas Amazônia é justamente servir como ponte entre o Acre e o mundo”, afirmou.
Agra ressaltou que já existem artistas acreanos licenciados na plataforma da instituição e que o objetivo agora é aprofundar a relação com agentes culturais locais e com o próprio governo estadual.
“Queremos cooperar em operações que promovam o Acre e a Amazônia, levando nossa cultura e identidade para o Brasil e para o mundo”, disse.
O evento, além de discutir oportunidades econômicas, também proporcionou uma imersão cultural, reforçando o papel da arte e da história na valorização da região amazônica.
Fonte agencia.ac.gov.br