Por Anne Seixas
Se nos primórdios, as técnicas de evangelismo dependiam de longas viagens, folhetos impressos e tendas de pregação, hoje o cenário é diferente. De acordo com o relatório Facts and Figures 2025, criado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), 6,6 bilhões de pessoas estão conectadas à internet em todo o mundo.
Durante três dias, cerca de 400 profissionais de comunicação ligados às instituições adventistas vindos de oito países sul-americanos se reuniram em Jacareí, no interior de São Paulo, para aprender como a tecnologia e o seu trabalho podem levar a mensagem do evangelho a todas essas pessoas.
O MídiaTec é um evento que promove conhecimento sobre design, conteúdo para redes sociais, produção de áudio e vídeo, eventos e transmissão ao vivo por meio de múltiplos canais. E apesar de isso já não ser novidade, a entrada da inteligência artificial no mercado mudou o jogo. Durante a programação, muitos palestrantes aprofundaram esse tema e deram recursos para usá-la da melhor forma possível.
Há dez anos atuando na área de produção de vídeo da Igreja Adventista, Virgilio Noguera, que trabalha na sede adventista do Paraguai, destaca o que mais o marcou no encontro: “A inteligência artificial não vai substituir o comunicador. Ela não substitui as pessoas, mas sim as potencializa. É uma ferramenta que, bem utilizada, nos permite chegar a lugares onde talvez um evangelista não consiga estar fisicamente.”
Agora, é preciso se atualizar para que a esperança da volta de Jesus se torne conhecida a diferentes públicos. Trabalhando há quase dois anos na sede da Igreja Adventista para o estado de São Paulo, Lara Leite é responsável pela área de produção técnica no departamento de Comunicação. Lá, ela é editora de vídeos e cinegrafista. No entanto, foi uma outra área de conhecimento que chamou sua atenção: a produção de eventos.
“Isso abriu muito mais meus horizontes sobre como todas as funções da equipe precisam estar alinhadas e em harmonia para ter um bom resultado”, destaca. O papel do produtor é criar a base de tudo. Isso vai desde pensar até acompanhar a criação e montagem do cenário, programação, transporte de convidados e muito mais.

Atualização e visão
Jorge Marcio Oliveira, gerente do Media Center da sede sul-americana adventista e um dos organizadores do evento, ressalta que lidar com equipamentos pode ser simples ou fácil, mas o bom profissional precisa saber o porquê de cada coisa e, principalmente, seus riscos.
Nessa linha, Noguera reflete que a comunicação “é como uma roda que não para: o algoritmo evolui, surgem novas tendências e, como igreja, precisamos estar atualizados, preparados e com as ferramentas adequadas para poder evangelizar de maneira eficaz.”
Corroborando com o ponto de vista do profissional paraguaio, Oliveira explica: “Na minha visão, a atualização é fundamental, porém, o mais importante seria estar indo na mesma direção. Não podemos ignorar o fato de que sempre alguém sabe mais que você, por isso, estar aberto ao diálogo e disposto a novas formas de aprender, farão da comunicação uma área mais sólida.”
Durante a programação, também foi apresentado o projeto OneVoice27, iniciativa global que quer, no próximo ano, falar sobre a volta de Jesus de forma massiva, utilizando outdoors, rádio, tv e internet para pregar. Os comunicadores adventistas foram incentivados a usar sua criatividade e talentos para atingir esse objetivo.
Mas não foi só sobre softwares e formatos que os participantes ouviram. Para além de todas as ferramentas, é essencial que o profissional de comunicação entenda o propósito do seu trabalho. Para o pastor Jorge Rampogna, diretor de Comunicação da Igreja Adventista para oito países sul-americanos, é essencial preparar tecnicamente cada um que atua nessa área, mas, mais importante, é ajudá-los a compreender seu papel missionário nessa função.

Entre um workshop e outro, pastores e missionários compartilharam suas experiências e perspectivas espirituais sobre o evangelismo digital. Para Lara, isso foi transformador. “Após o MídiaTec, entendi que carrego uma ferramenta poderosa nas mãos que, através dos materiais que produzimos, levamos a muitas pessoas a oportunidade de vida eterna. É uma grande responsabilidade, mas, acima de tudo, é uma honra”, conclui.