O turismo em aldeias e comunidades indígenas no Acre foi destaque no evento “Celebrando os Povos Originários – Etnoturismo: um roteiro de saberes e experiências”, realizado na terça-feira, 28, na Biblioteca da Floresta, em Rio Branco. O encontro reuniu apresentações artísticas e painéis de discussão, na iniciativa organizada pela Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), com o apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), e de lideranças indígenas locais.
Estiveram presentes representantes do Conselho Estadual de Turismo, da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Coordenação Regional da Funai no Alto-Purus, além de palestrantes dos Povos Apurinã e Shanenawa, bem como a banda Mimâ Natxuani, do Povo Huni Kuin.

A chefe da Divisão de Etnoturismo da Sete, Adalgisa Bandeira, destacou que o objetivo central do encontro foi celebrar o protagonismo indígena por meio de suas expressões culturais, como rezas tradicionais, pinturas corporais e artesanato. O evento reuniu lideranças, órgãos de controle e especialistas para dialogar sobre o futuro do setor no Acre.
“Esse evento nos trouxe um conhecimento muito importante, pois possibilitou reunir aqui indígenas e não indígenas em um espaço de troca de conhecimento. Aprendemos muito a cultura indígena, assim como os indígenas também conheceram aspectos da nossa cultura”.

A liderança indígena Gemina Brandão Borges, conhecida como Xiu Shanenawa, destacou a importância do diálogo entre as comunidades e o Estado. Atuante na Organização de Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Sitoakore), ela enfatizou que o evento se constitui como uma plataforma de visibilidade.
“É uma honra poder estar aqui e compartilhar esse conhecimento, essa vivência, esse momento de reafirmação de todos nós, povos indígenas — um momento do protagonismo indígena em um mês de alusão aos povos indígenas. Também é importante estarmos junto à Secretaria de Turismo e Empreendedorismo, mostrar e possibitar que pessoas que ainda não conhecem as realidades povos indígenas possam conhecê-la. Isso se reflete em um fortalecimento cultural dentro e fora dos territórios indígenas, e, para nós, é muito importante contar com essa parceria, esse intercâmbio de conhecimento e essa vivência em um momento tão significativo”, pontuou Xiu.

Saberes ancestrais como resposta aos desafios globais
O pós-doutor em Antropologia Social e pesquisador sênior da Universidade de Helsinque, na Finlândia, Francisco Apurinã, conhecido como Yumunyryy, participou como palestrante no evento. Presidente do Instituto Pupỹkary, ele ressaltou a importância e a profundidade dos conhecimentos ancestrais dos povos originários.
“Acredito que, hoje, principalmente em tempos de antropoceno, de coronavírus, de mudanças climáticas, de aquecimento global, vemos que as soluções são, em sua maioria, pensadas a partir de uma lente científica ocidental. Enquanto isso, os conhecimentos ancestrais indígenas, quilombolas, ribeirinhas, seringueiros, não fazem parte desse conjunto. Assim, a mensagem que eu gostaria de deixar é que esses saberes sejam reconhecidos na formulação de políticas indigenistas, não apenas para o Acre, mas para o mundo”, destacou.

Francisco Apurinã pontua que o erro, muitas vezes, nasce do desconhecimento. Segundo ele, as pessoas tendem a se acomodar em uma visão de mundo limitada, ignorando outras perspectivas – especificamente as indígenas. “Há uma frase que diz: às vezes as pessoas erram porque não conhecem. Elas se acostumaram a um determinado tipo de entendimento, uma forma específica de ver o mundo, e acabam deixando de ver mundo por outra perspectiva”.
Para quem tem interesse em aprender, Francisco Apurinã enfatiza que “há muitas organizações indígenas aqui no Acre. São 16 povos diferentes e mais de 36 Terras Indígenas no estado, três delas destinadas a povos em isolamento voluntário. Portanto, acessar essas organizações — assim como o Instituto Pupỹkary — é uma possibilidade que também se coloca à disposição”, concluiu.
O que disseram:
“Vocês são referência na preservação das nossas florestas, e temos orgulho de apresentar as experiências e os festivais indígenas em nossas apresentações”.
Marcelo Messias, secretário de Turismo e Empreendedorismo.
“Com a criação do Departamento de Etnoturismo na Sete, o setor ganhou uma nova perspectiva. Não poderíamos deixar de celebrar essa data, o Dia dos Povos Originários, que representa a nossa história e a nossa memória”.
Jackson Viana, diretor de Turismo da Sete.
“Estamos em um momento muito importante de celebrar a história e o costume dos povos indígenas, e não tem como debater o turismo sem falar sobre os povos originários”.
Thiago Higino, presidente do Conselho Estadual de Turismo.
Fonte agencia.ac.gov.br




























