Cruzeiro do Sul, AC, 24 de abril de 2026 17:40

Defesa Civil intensifica ações preventivas diante de previsão de seca severa e risco elevado de incêndios florestais em 2026

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O governo do Acre, por meio da Defesa Civil Estadual, iniciou uma ampla mobilização preventiva nos 22 municípios acreanos diante das projeções climáticas que indicam a possibilidade de seca severa ao longo de 2026, acompanhada por ondas de calor intensas e aumento significativo no risco de incêndios.

Representantes da Defesa Civil se reuniram com pesquisadores da Ufac para discutirem questões climáticas. Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom

A ação integra uma estratégia antecipada de gestão de riscos, alinhada às recomendações técnicas de monitoramento climático aos alertas científicos para a região amazônica

Mobilização nos municípios

Antecipando possíveis cenários críticos, equipes da Defesa Civil estão percorrendo todos os municípios do Acre, promovendo reuniões estratégicas com as Defesas Civis Municipais, gestores públicos, pesquisadores, e representantes de diferentes secretarias.

Entre os principais temas abordados estão o enfrentamento à escassez hídrica, a prevenção e resposta rápida a incêndios, além da proteção de populações mais vulneráveis. Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom

O objetivo é orientar técnicos e autoridades locais sobre medidas preventivas, elaboração de planos de contingência e ações coordenadas que possam ser adotadas diante de uma estiagem prolongada, com impactos diretos no abastecimento de água, na produção rural e na saúde da população.

As agendas incluem ainda palestras em escolas e encontros com comunidades, reforçando a importância da percepção de risco e da atuação preventiva. Entre os principais temas abordados estão o enfrentamento à escassez hídrica, a prevenção e resposta rápida a incêndios, além da proteção de populações mais vulneráveis.

Segundo o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Batista Oliveira, as ações seguem determinação do governo para ampliar a capacidade de resposta do estado.

Coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Batista Oliveira. Foto: Dhárcules Pinheiro

“Estamos nos reunindo com universidades, pesquisadores e gestores municipais para entender melhor o cenário e nos preparar para esse período de verão amazônico que tende a ser mais severo. Também já mobilizamos equipes para atuar diretamente nos municípios, orientando tanto as defesas civis quanto a população”, destacou.

Risco de incêndios e efeito multiplicador

Os técnicos alertam que pequenos focos de incêndio, muitas vezes iniciados em áreas urbanas ou terrenos baldios, podem se transformar rapidamente em grandes ocorrências durante períodos de baixa umidade e altas temperaturas.

Durante as ações educativas, a população é incentivada a atuar como multiplicadora de informação, levando orientações sobre prevenção para famílias e comunidades, ampliando o alcance das medidas de conscientização.

Cenário climático preocupa especialistas

Os alertas climáticos para 2026 reforçam a necessidade de ações antecipadas. Estudos na região MAP (Madre de Dios, Acre e Pando) indicam que a combinação entre fenômenos naturais e o aquecimento global tem intensificado eventos extremos.

O ecólogo e cientista ambiental Foster Brown destacou que, desde 2010, a região enfrenta aumento na frequência de eventos como secas, queimadas e inundações.

Ecólogo e cientista ambiental Foster Brown. Foto Dhárcules Pinheiro/Secom

“Estamos diante de desafios crescentes e precisamos mobilizar a sociedade para dar respostas. Esse tipo de encontro fortalece a integração entre universidade e Defesa Civil, o que é essencial para enfrentar esses eventos”, afirmou Brown.

Entre os impactos esperados de uma seca extrema estão o aumento de incêndios florestais, piora da qualidade do ar, crescimento de doenças respiratórias e pressão sobre o sistema de saúde. Além disso, a escassez de água pode comprometer o abastecimento em áreas urbanas e rurais.

Os efeitos também atingem diretamente a economia, com prejuízos à agricultura, pecuária e piscicultura, podendo gerar insegurança alimentar e perdas financeiras para produtores.

Integração entre ciência e gestão de riscos

A participação da Universidade Federal do Acre nas discussões tem contribuído com análises técnicas e científicas para subsidiar a tomada de decisões.

De acordo com o professor Anderson Mesquita, doutor em Geografia, a integração entre academia e órgãos de resposta é fundamental.

Anderson Mesquita, professor, doutor em Geografia. Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom

“Nosso papel é oferecer suporte técnico e científico, com base em pesquisas sobre mudanças climáticas, recursos hídricos e eventos extremos. Essa articulação fortalece a capacidade de resposta e contribui para a construção de um ambiente mais resiliente”, explicou.

O pesquisador também destacou a importância da comunicação correta em cenários de crise. Segundo ele, a disseminação de informações baseadas em evidências é essencial para evitar desinformação e garantir a segurança da população.

Preparação para cenários extremos

A Defesa Civil estadual reforça que o momento é de preparação. As ações preventivas têm custo significativamente menor do que os prejuízos causados por desastres ambientais.

Entre as principais recomendações estão a elaboração de planos de abastecimento de água, o fortalecimento do monitoramento climático, a prevenção de focos de incêndio e a integração entre Estado, municípios e comunidades.

Compromisso com a população

Por determinação da governadora Mailza Assis, o Governo do Acre tem intensificado as ações preventivas em todo o território estadual, reforçando o compromisso com a proteção da população diante da possível ocorrência de uma seca extrema.

A estratégia busca reduzir impactos sociais, ambientais e econômicos, priorizando a antecipação de riscos e a atuação integrada entre instituições públicas, comunidade científica e sociedade.

Fonte agencia.ac.gov.br