Cruzeiro do Sul, AC, 30 de abril de 2026 11:01

Acre propõe financiamento territorializado e apresenta avanços na educação inclusiva e EJA no Foncede Norte

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A imensidão da floresta, a travessia dos rios e as grandes distâncias tornam o acesso à escola na Amazônia um desafio único. Para debater essas particularidades e compartilhar políticas públicas que já apresentam resultados no estado, o governo do Acre marcou presença no Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (Foncede), realizado nos dias 27 e 28 de abril, em Belém.

Liderando discussões essenciais para a região, a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) apresentou avanços em três frentes estratégicas: o financiamento da educação amazônica, a ampliação da educação especial e a inovação na Educação de Jovens e Adultos.

Além da equipe da SEE, o Acre também foi representado pela presidente do Conselho Estadual de Educação, Elisete Machado. Foto: Vinícius Charife/SEE

 

O custo da floresta e o “Fator Amazônico”

As políticas educacionais na região frequentemente esbarram em um modelo nacional de repasses financeiros que ignora a logística local. Durante o evento, o gestor Aberson Carvalho defendeu a criação do chamado “Fator Amazônico”. A proposta é garantir que programas federais, como o Fundeb e o transporte escolar, destinem recursos proporcionais aos altos custos de manter uma escola em áreas isoladas. A premissa defendida pelo Acre é que financiar realidades diferentes como se fossem iguais gera desigualdade. Na Amazônia, garantir o transporte e a infraestrutura não é apenas um detalhe administrativo, mas a condição principal para que o estudante permaneça na escola e consiga aprender.

Convidado pelo Foncede, Aberson Carvalho defendeu a necessidade de financiamento diferenciado na política educacional brasileira para a região amazônica. Foto: Vinícius Charife/SEE

Inclusão que transforma realidades

O Acre também se tornou referência ao estruturar um modelo de inclusão robusto, que hoje acolhe mais de 14 mil estudantes com deficiências, transtornos e altas habilidades na rede estadual. A chefe do Departamento de Educação Especial, Hadhianne Peres, apresentou os avanços do setor aos gestores de outros estados.

Chefe do departamento de Educação Especial da SEE, Hadhianne Peres, expôs as diretrizes utilizadas no Acre acerca do assunto. Foto: Vinícius Charife/SEE

Os números mostram que o Acre já alcança 64% de cobertura no Atendimento Educacional Especializado (AEE). Mais do que se adequar às diretrizes nacionais, o governo fortaleceu a área ao realizar um concurso público voltado especificamente para a modalidade, garantindo a contratação de 735 profissionais de apoio, incluindo intérpretes de Libras e especialistas em braille atuando diretamente na rede de ensino.

Ensino flexível para quem trabalha

Quando o assunto é a formação de quem precisou interromper os estudos, o chefe do Departamento de Educação de Jovens e Adultos (EJA), Jessé Dantas, compartilhou como o Acre tem modernizado essa modalidade. O estado atualizou suas normas educacionais para criar a “EJA Personalizada”, um formato inovador que une aulas presenciais a atividades orientadas fora da escola.

Essa flexibilidade é um divisor de águas para os estudantes, pois permite a matrícula em qualquer momento do ano letivo e adapta o plano de estudos à vida de quem trabalha. Assim, o jovem, adulto ou idoso consegue conciliar a rotina de emprego e família com o objetivo de concluir a educação básica.

Chefe do Departamento de EJA, Jessé Dantas, defendeu uma maior flexibilidade na modalidade. Foto: cedida

A atuação do Acre no evento consolida o estado como um formulador de soluções reais que extrapolam a sala de aula, garantindo ensino e aprendizagem a quem mora nos centros urbanos, nas comunidades no interior da floresta ou nas margens dos rios acreanos.

Fonte agencia.ac.gov.br