Cruzeiro do Sul, AC, 28 de outubro de 2026 16:31

Acre apresenta projetos de conservação e busca ampliar investimentos na COP17 da Biodiversidade, na Armênia

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O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), participa da 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), realizada de 19 a 30 de outubro, em Yerevan, na Armênia. Durante o encontro, o Estado apresentou iniciativas de conservação da biodiversidade desenvolvidas no Acre e busca fortalecer parcerias internacionais para ampliar o acesso a investimentos destinados à proteção ambiental e ao desenvolvimento sustentável.

Representantes da Sema participam da COP17 da Biodiversidade, em Yerevan, na Armênia, para apresentar projetos de conservação e fortalecer parcerias internacionais. Foto: Cedida

A delegação acreana foi composta pelo secretário de Estado do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho; pelo diretor de Meio Ambiente, Erisson Cameli; pela chefe da Divisão de Bioeconomia, Luciana Rôla; e pela chefe da Divisão de Espécies, Tiffany Maia. A participação inclui a apresentação de experiências estaduais e a contribuição em debates sobre financiamento da biodiversidade, planejamento territorial e implementação das metas globais de conservação.

Entre as iniciativas apresentadas está o Programa de Conservação de Quelônios, desenvolvido na região do rio Abunã, no município de Acrelândia e em áreas próximas a Plácido de Castro. O projeto, realizado em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e com apoio do Programa Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL) e do escritório internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV Europe), envolve a participação das comunidades locais na proteção de espécies como o tracajá, a iaçá e a tartaruga-da-amazônia.

Programa de conservação de quelônios no Acre envolve biomonitores comunitários na proteção de ninhos e no manejo de espécies da fauna amazônica. Foto: Reinaldo Adrien/Sema

A iniciativa tem como meta a conservação de pelo menos 12 mil ovos de quelônios e conta com a atuação de biomonitores comunitários, responsáveis pelo acompanhamento dos ninhos, proteção dos ovos, manejo e posterior soltura dos filhotes na natureza. O trabalho contribui para a preservação das espécies e para a manutenção do equilíbrio ecológico e dos ecossistêmicos fluviais da região.

Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, a apresentação do projeto durante a conferência demonstra sua importância e o potencial de ampliação das ações de conservação para outras regiões do estado, além de ser uma oportunidade para identificar novas fontes de financiamento.

Secretário de Estado do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, destaca o potencial de ampliação dos projetos de conservação desenvolvidos no Acre. Foto: Cedida

“Essa iniciativa é fundamental para a conservação das espécies e para a manutenção do equilíbrio ecológico dos nossos rios. Nossa intenção é mostrar os resultados dessa experiência, buscar novos investimentos e ampliar essas ações para outras regiões do Acre”, destacou o secretário.

Resiliência socioambiental e fortalecimento das comunidades

Outro destaque da participação da delegação acreana é o Programa de Resiliência Socioambiental nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Igarapé São Francisco e Lago do Amapá, localizadas em Rio Branco e em parte do município de Bujari. A iniciativa é desenvolvida pelo governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e financiada pelo Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, com apoio do Consórcio da Amazônia Legal (CAL), por meio de recursos provenientes do governo do Canadá.

O programa reúne ações voltadas ao fortalecimento da bioeconomia, governança, segurança hídrica e restauração florestal, com participação das comunidades locais. As atividades buscam reduzir as pressões ambientais sobre as APAs, especialmente em relação ao desmatamento e à degradação de nascentes, além de fortalecer a capacidade de adaptação dos territórios aos desafios ambientais, climáticos e sociais.

Programa de Resiliência Socioambiental contempla ações de restauração florestal, segurança hídrica e fortalecimento das comunidades nas APAs Igarapé São Francisco e Lago do Amapá. Foto: Gaio Nogueira/Sema

O secretário Leonardo Carvalho destacou ainda que o programa busca enfrentar os desafios ambientais das unidades de conservação, especialmente diante das pressões sobre a vegetação nativa e os recursos hídricos, por meio de ações integradas com as comunidades locais.

“São áreas de proteção ambiental inseridas em um contexto urbano e sujeitas a pressões decorrentes do desmatamento e da degradação de nascentes. Com esse programa, buscamos atuar em diferentes frentes para construir, junto às comunidades, soluções que fortaleçam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas”, explicou.

Acre participa de debates sobre financiamento e planejamento territorial

Encerrando a agenda da delegação acreana na COP17, os representantes do estado participaram no Abema’s Biodiversity Day, realizado nesta quarta-feira, 28, pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF).

Comitiva brasileira participou de debate sobre mecanismos de financiamento para a conservação da biodiversidade na América Latina. Foto: Cedida

O diretor de Meio Ambiente da Sema, Erisson Cameli, participou do painel sobre Financiamento da Biodiversidade na América Latina, que reuniu representantes dos governos estaduais e de instituições financeiras para discutir mecanismos de mobilização de recursos, parcerias estratégicas e oportunidades de financiamento destinadas à implementação de políticas de conservação.

A chefe da Divisão de Bioeconomia, Luciana Rôla, participou do painel BiodiverCidades e Biorregiões, voltado à integração entre conservação da biodiversidade, planejamento regional, desenvolvimento urbano sustentável e cooperação entre instituições. As discussões contribuem para a troca de experiências entre os estados brasileiros e organismos internacionais, além de ampliar as possibilidades de cooperação para o desenvolvimento de projetos ambientais.

Metas globais de biodiversidade

Com o tema Taking Action for Nature (Agindo pela Natureza), a COP17 reúne representantes de governos, organizações internacionais e instituições para avaliar os avanços na implementação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estabelece 23 metas voltadas à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade até 2030.

Sema participa do painel sobre biodiversidade, planejamento regional e desenvolvimento urbano sustentável. Foto: Cedida

No Acre, a Sema trabalha para integrar essas metas ao planejamento estadual, relacionando os compromissos internacionais às ações previstas no Plano Plurianual (PPA), com o objetivo de fortalecer a implementação das políticas públicas ambientais.

Para Leonardo Carvalho, a participação na conferência permite apresentar os resultados das iniciativas desenvolvidas no estado, acompanhar os debates internacionais e identificar oportunidades de cooperação e financiamento para ampliar a conservação ambiental.

“Julgamos a participação como muito exitosa e importante para que a conservação da biodiversidade, da fauna e da flora, que constituem uma grande riqueza do Acre e precisam ser preservadas para as próximas gerações”, destacou o secretário.