Uma pescaria de fim de semana rendeu uma captura e tanto para o pescador Jadilson Pereira. No último sábado (15), ele fisgou um puraquê — peixe elétrico conhecido assim na região — de aproximadamente 2,20 metros de comprimento no Rio Lagoinha, na região da BR-364, em Cruzeiro do Sul. A pescaria aconteceu na companhia de seu parceiro Neto.
Em depoimento à reportagem do Juruá 24 Horas, Jadilson contou que pesca como hobby, sem fins comerciais, praticamente durante todo o período de estiagem. “Sou pescador, mas não sou pescador profissional. É hobby. Eu pesco praticamente o verão todo”, explicou. Segundo ele, a atividade acontece há cerca de dois anos, mas nunca havia resultado em uma captura como essa. “Não foi muito difícil alguém ter pego um bicho daquele tamanho. Aquele bicho ali é velho, é avô do filhote”, brincou.
Jadilson descreveu o momento em que percebeu que havia fisgado algo fora do comum. “Quando fisgou, eu joguei e fisgou, aí foi muito forte. Eu pensei que tinha engatado em alguma estrutura embaixo d’água, porque eu não conseguia puxar”, relatou. Ele chegou a remar em direção ao ponto onde sentia a resistência, na tentativa de desvencilhar a linha. “Depois de uns 10 minutos brigando com ele, consegui puxar ele de dentro da estrutura, porque tem muito pau lá embaixo.”
Um detalhe chamou atenção do pescador: o comportamento do animal era diferente do que ele estava acostumado. “Ele não puxava para as laterais, como fazem outros peixes, como o tucunaré, que salta e pula. Esse aí puxava para baixo mesmo, para o fundo do rio”, contou, descrevendo o comportamento característico do puraquê, que costuma permanecer próximo ao leito do rio.
Como não retirou o animal da água, Jadilson precisou calcular o tamanho com base em uma referência prática: o remo do próprio caiaque. “O remo do caiaque tem em média entre dois metros e dez e dois metros e meio. Aproximadamente, ele tinha dois metros e vinte”, estimou. Quanto ao peso, o pescador arriscou um cálculo aproximado. “Não dá pra ter noção exata, mas eu acho que ele tinha entre 20 e 30 quilos.”
Apesar do tamanho expressivo da captura, Jadilson optou por devolver o puraquê ao rio. Quem retirou o anzol da boca do animal foi seu parceiro Neto — manuseio que exige cuidado redobrado, já que o puraquê é capaz de gerar descargas elétricas de defesa. Questionado se manteve a prática de pesca esportiva mesmo após o momento tenso, Jadilson confirmou que segue tranquilo com a atividade. “A gente só pesca. Eu pego peixe pequeno pra comer. É esporte também”, afirmou, esclarecendo que animais maiores como o capturado são soltos de volta às águas.
A história de Jadilson reforça a diversidade da fauna aquática dos rios do Vale do Juruá, que seguem surpreendendo moradores e pescadores amadores com espécimes de grande porte, especialmente durante o período de seca, quando a atividade se intensifica entre os moradores da zona rural e urbana de Cruzeiro do Sul.