Cruzeiro do Sul, AC, 14 de maio de 2026 18:05

Governo do Acre realiza capacitação sobre hipertensão e pé diabético na regional Tarauacá Envira

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O governo do Acre, por meio da Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, Núcleo de Prevenção de Doenças Crônicas e Vigilância das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), realizou nos dias 12, 13, 14 e 15 uma capacitação voltada aos profissionais da saúde sobre hipertensão arterial e pé diabético na regional Tarauacá/Envira.

A ação foi idealizada pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), em parceria com as secretarias municipais de saúde dos municípios de Tarauacá e Feijó, com o objetivo de fortalecer o atendimento prestado à população e ampliar o conhecimento técnico das equipes que atuam diretamente na atenção básica.

Capacitação tem objetivo de fortalecer o atendimento prestado à população e ampliar o conhecimento técnico das equipes. Foto: Raylanderson Frota/Secom

Segundo a coordenadora da ação, enfermeira Vanessa Cristina, a capacitação faz parte do cronograma de políticas públicas do governo do Acre voltadas à prevenção, acompanhamento e controle das doenças crônicas não transmissíveis, buscando melhorar a qualidade de vida da população acreana.

“Essa capacitação visa fortalecer os indicadores de saúde, pois nós temos agora um novo cofinanciamento, que é o Brasil 360, e trabalhamos três indicadores relacionados às doenças crônicas. Com esse incentivo das boas práticas, buscamos subsidiar os municípios para que também não percam recursos, além de proporcionar aos profissionais de saúde conhecimentos adequados para que possam realizar a avaliação e entender quais são as mudanças no manejo clínico da hipertensão e do diabetes. Dessa forma, a população terá mais possibilidades de se cuidar e de receber intervenções antes que aconteçam problemas mais graves, principalmente em relação às amputações causadas pelo pé diabético, internações muitas vezes desnecessárias e infecções. A partir do momento em que o profissional entende como deve conduzir esses pacientes, ele consegue realizar uma intervenção mais específica e imediata”, explicou Vanessa Cristina, chefe do Núcleo de Prevenção de Doenças Crônicas do Departamento de Atenção Primária à Saúde (Daps).

“Com esse incentivo das boas práticas, buscamos subsidiar os municípios para que também não percam recursos, além de proporcionar aos profissionais de saúde conhecimentos adequados para que possam realizar a avaliação”. Foto: Raylanderson Frota/Secom

Nos dias 12 e 13, os profissionais de saúde de Tarauacá participaram das atividades, que alinharam conhecimento técnico e prática clínica de acordo com a realidade enfrentada pelos pacientes da região. Já nos dias 14 e 15 foi a vez das equipes de saúde de Feijó receberem a formação.

O médico Luiz Eduardo, de Tarauacá, destacou a importância do curso para fortalecer o atendimento humanizado e qualificar a relação entre profissional e paciente, principalmente nos casos de doenças crônicas que exigem acompanhamento contínuo. “A capacitação está sendo muito boa para mostrar que ainda precisamos melhorar o atendimento na questão do cuidado com os pacientes que podem apresentar complicações maiores, como os casos relacionados à hipertensão e ao diabetes. A gente percebe que é possível realizar um atendimento com mais qualidade, seguindo os protocolos adequados. Inclusive, essa formação está trazendo as atualizações mais recentes sobre os protocolos de hipertensão e diabetes”, ressaltou.

“Inclusive, essa formação está trazendo as atualizações mais recentes sobre os protocolos de hipertensão e diabetes”. Foto: Raylanderson Frota/Secom

A formação já foi realizada nas regionais do Baixo Acre, no dia 23 de abril; Alto Acre, entre os dias 27 e 30 de abril; e Tarauacá/Envira, de 12 a 15 de maio. A próxima etapa será realizada na regional do Juruá, entre os dias 18 e 22 de maio.

Durante a capacitação, os profissionais receberam orientações sobre protocolos, guias clínicos e fluxos norteadores do atendimento, além da apresentação de boletins epidemiológicos, oficinas regionais, campanhas educativas e estratégias de qualificação profissional.

Segundo a enfermeira Janaína Arcênio, a formação contribuirá para dar mais celeridade ao atendimento, proporcionando diagnósticos mais precisos e tratamento precoce das comorbidades. “Com a capacitação eu vou conseguir aprimorar meu conhecimento, levando um atendimento melhor para os pacientes hipertensos e diabéticos, além de contribuir para um diagnóstico mais precoce. Com isso, conseguimos evitar complicações que podem até levar ao óbito, melhorando o tratamento, o acompanhamento domiciliar e também o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde e na Atenção Primária”, destacou a enfermeira.

“Com a capacitação eu vou conseguir aprimorar meu conhecimento, levando um atendimento melhor para os pacientes hipertensos e diabéticos”. Foto: Raylanderson Frota/Secom

Protocolo Municipal

A Secretaria Municipal de Saúde de Feijó, juntamente com a diretoria técnica, elaborou o protocolo municipal de rastreamento, avaliação e cuidado do pé diabético. O documento foi desenvolvido pelos profissionais de saúde Jonatas Freitas, médico regulador do município, e Clisten Alves, coordenador da Atenção Primária, com o objetivo de fortalecer a abordagem multidisciplinar no acompanhamento dos pacientes e das possíveis complicações da doença.

Segundo o médico Aldemir Victor, todos os pacientes diagnosticados com diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 precisam ser acompanhados e avaliados continuamente para evitar complicações futuras, como amputações, consideradas o estágio mais grave da doença.

“O protocolo institui todas as diretrizes levando em consideração aquilo que é pautado na ciência e na medicina baseada em evidências. E a capacitação vem para somar, porque ajuda a entender como funciona o processo de avaliação dos membros inferiores e como utilizar os instrumentos de apoio diagnóstico para classificar esse paciente e realizar um acompanhamento de maior impacto”, informou Aldemir Victor, diretor técnico médico.

“O protocolo institui todas as diretrizes levando em consideração aquilo que é pautado na ciência e na medicina baseada em evidências”. Foto: Raylanderson Frota/Secom

O que é pé diabético

O pé diabético é uma das complicações mais graves do Diabetes Mellitus. A condição ocorre quando o diabetes mal controlado provoca danos nos nervos e na circulação sanguínea dos pés, facilitando o surgimento de feridas, infecções e, em casos mais graves, amputações.

A doença normalmente surge pela combinação de fatores como neuropatia diabética, caracterizada por lesões nos nervos; má circulação sanguínea; e infecções provocadas por pequenas feridas ou bolhas que surgem nos pés. A cicatrização lenta, associada à baixa imunidade, contribui para a rápida proliferação de bactérias e agravamento do quadro clínico.

Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), entre os anos de 2013 e 2023, cerca de 282 mil amputações foram realizadas no sistema público de saúde brasileiro. A grande maioria dos casos está relacionada ao pé diabético, uma condição considerada altamente evitável quando diagnosticada e tratada precocemente