Por Carlos Alexandre
Com o objetivo de enfrentar as mudanças climáticas e modernizar a gestão energética da administração pública, o governo do Acre estruturou o Plano de Transição Energética, iniciativa estratégica voltada à redução de custos operacionais, diminuição das emissões de gases de efeito estufa e menor dependência de fontes fósseis. A proposta alia responsabilidade ambiental à sustentabilidade fiscal e institucional do Estado.

Coordenado pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), em articulação com demais órgãos governamentais, o plano tem previsão de implementação a partir de junho. A iniciativa estabelece diretrizes para mitigação de emissões, ampliação do uso de fontes renováveis e fortalecimento da eficiência energética, com foco na neutralidade climática no longo prazo.
O programa está integrado aos principais instrumentos de planejamento estadual, como a Agenda Acre 10 Anos, o Plano Plurianual (PPA) e o Plano Estratégico de Governo, com metas e ações previstas até 2032. Entre as medidas propostas estão a modernização da infraestrutura energética dos prédios públicos, a inclusão de critérios de eficiência energética em obras e contratos e a redução das emissões nas atividades administrativas.
A secretária adjunta da Seplan, Kelly Lacerda, ressaltou o alcance da iniciativa. “Tomar esse tipo de atitude é essencial para a construção de um futuro melhor, com o governo do Acre se voltando para a sustentabilidade efetiva. Isso é permanecer no protagonismo do Estado que preserva”, afirmou.

Ela acrescentou que o plano consolida políticas já desenvolvidas na área ambiental. “Já executamos políticas públicas de conservação ambiental e esse Plano de Transição Energética é mais um eixo que fortalece o que já é feito para manter um Acre cada vez mais verde. Somos um dos primeiros estados a se preocupar com a descarbonização da administração pública. Esse é o nosso compromisso com a sociedade e com a conservação ambiental”, destacou.
Do ponto de vista técnico e territorial, o Acre reúne condições favoráveis para avançar na transição energética, especialmente no potencial de geração solar fotovoltaica. O plano também considera oportunidades de redução do consumo no patrimônio público e a adoção de soluções descentralizadas para sistemas isolados e comunidades remotas.
Entre as ações previstas estão a substituição gradual de parte da frota movida a combustão por veículos elétricos ou híbridos e a instalação de sistemas de energia solar em prédios públicos. A expectativa é reduzir despesas com energia elétrica e estimular práticas sustentáveis na gestão pública.

O Plano de Transição Energética do Acre está alinhado às diretrizes nacionais, como a Política Nacional de Transição Energética (PNTE), instituída em 2024, e o Plano Nacional de Transição Energética (Plante), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia. Os instrumentos federais estabelecem metas de diversificação da matriz energética, ampliação do uso de fontes renováveis e ganhos de eficiência, com foco na neutralidade de emissões e no desenvolvimento sustentável.
Primeiro prédio com energia renovável
Como marco inicial dessa política, em fevereiro de 2025 o governo inaugurou a nova sede do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), primeiro prédio da administração pública estadual a contar com sistema próprio de geração de energia renovável. A obra foi executada pela Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), com recursos do Instituto de Previdência do Estado do Acre (Acreprevidência), totalizando investimento de R$ 6,77 milhões.

Localizada na Avenida Nações Unidas, em Rio Branco, a nova sede amplia a capacidade de atendimento à população e simboliza o compromisso do Estado com práticas sustentáveis. O edifício representa avanço na política ambiental ao associar eficiência energética, redução de custos operacionais e responsabilidade socioambiental.
Fonte agencia.ac.gov.br